Escola Municipal de Ensino Prof.ª Alcina Dantas Feijão

Em meio ao crescimento acelerado de São Caetano do Sul na década de 1960, uma escola surgia com a missão de preparar jovens para uma cidade cada vez mais industrial e dinâmica. A história da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, preservada pela Secretaria Municipal de Governo (SEGOV), através do acervo do Arquivo Público Municipal, revela como a educação e o desenvolvimento caminharam lado a lado na construção do município.

São Caetano do Sul, impulsionado pelo desenvolvimento industrial, viu sua população triplicar em menos de 20 anos, pouco depois de sua emancipação. Em 1950, a cidade tinha cerca de 60 mil habitantes e, em 1968, o município já contava com 180 mil habitantes. Em 1965, a cidade era o quinto município, em valor de produção industrial, no Estado de São Paulo, tendo cerca de 24 mil pessoas em suas atividades produtivas, destacando-se nas áreas industriais de metalurgia, química, cerâmica e automobilística.

Nesse cenário, em 1965, Hermógenes Walter Braido se elege prefeito municipal de São Caetano do Sul, tomando posse em 4 de abril daquele ano. Ele apresentou seu Plano Trienal (1966-1968), uma proposta orçamentária que dentre outras áreas destacava a educação como prioridade de seu governo.

Destaca-se não só a construção de escolas, mas o planejamento da administração pública municipal para lidar com a área educacional, como a criação do Departamento de Educação e Cultura (DEPEC), através da Lei Municipal n.º 1.489 de 29 de agosto de 1966, que então englobava a antiga Seção de Educação, a Seção de Cultura, a Seção de Educação Física e Esportes, a Seção de Cursos de Orientação Prático-Industrial (Copi) e uma diretoria geral.

Em 1967, sob o comando de Alécio Strabelli, então assessor de imprensa da prefeitura, São Caetano do Sul enviou uma delegação à capital da Tailândia, a cidade de Bangkok, para participar da Conferência Internacional de Planejamento Governamental, resultando em uma “tese” denominada “Planejamento Municipal de Educação – Uma experiência com resultados propositivos relativo ao planejamento de educação no âmbito Municipal”, onde trazia experiências internacionais em regiões similares à cidade de São Caetano do Sul pelo mundo, a fim de aplica-las na cidade brasileira.

Nesse mesmo ano, por meio também de muita atuação parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) do ex-prefeito e então deputado estadual Oswaldo Massei, São Caetano do Sul, em convênio com o governo estadual, inaugurou o Ginásio Comercial de Vila Santo Alberto, instalado primeiramente no Grupo Escolar de Vila Júlia (atual EMEF Professor Décio Machado Gaia), com aproximadamente 300 alunos. Porém, no ano seguinte, em 1968, o convênio foi rompido e a Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul assumiu a escola, que acabou recebendo a denominação de Colégio Comercial Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, mudando-se para um prédio próprio que se localizava na confluência das avenidas Paraíso e Visconde de Inhaúma. Por lá ficou oito anos, quando, em 1976, na segunda administração do Prefeito Braido, mudou-se para a rua Capivari n.º 500, onde permanece até hoje.

Parte importante da história da escola está preservada no Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal de São Caetano do Sul. No processo administrativo n.º 2125 de 1967, é possível encontrar documentos que relatam a justificativa, o planejamento e a execução da instalação de um Colégio Comercial no município. O processo se inicia com o memorando, datado de 14 de fevereiro de 1967, de Fábio Teixeira ao Sr. Prefeito Municipal Braido, anexo está um plano de instalação do colégio, onde faz um panorama sobre a situação do ensino profissional e “comercial”, mencionando que a industrialização no país cresce em nível acelerado, mas falta qualificação no ensino público para preparar os alunos para a vida profissional, outro ponto levantado pelo professor é que com a maior oferta do ensino “ginasial” as universidades ganhariam mais alunos aptos a continuarem o ensino já na educação superior, por fim detalha os planos para o quadro de pessoal, propondo que começasse com 10 classes de 40 alunos, sendo 5 turmas para o período diurno e 5 turmas para o período noturno, totalizando 20 aulas semanais para cada classe.

Processo administrativo PMSCS 2125/1967 – Acervo APMSCS

O pedido então é acolhido pela Prefeitura, que envia à Câmara de Vereadores, por meio de ofício, no dia 28 de fevereiro de 1967, um Projeto de Lei que visava a instalação do Colégio Comercial na cidade, nessa comunicação o então chefe do executivo justificava a criação da escola, com o crescimento populacional que a cidade enfrentava, consequentemente houve aumento da demanda por serviços públicos como a área da educação. São Caetano do Sul já não conseguia absorver todos os alunos que saíam do ensino fundamental dos Grupos Escolares e necessitava de mais vagas para essa nova etapa do ensino, bem como de uma melhor qualificação para iniciar sua vida profissional.

A Câmara Municipal, sob o comando do então presidente da casa, Vereador Cezário Migliani, aprova a autorização para o Poder Executivo proceder a instalação de um Ginásio Comercial no município, resultando na Lei Municipal n.º 1.550 de 8 de março de 1967, que dispõe sobre a criação, instalação e manutenção do Ginásio Comercial e dá outras providências.

No processo 2125/1967 também é possível encontrar documentos relativos à contratação do corpo de docentes da escola, bem como a nomeação de diretores, secretários, inspetores de alunos e outros funcionários que iniciaram as atividades da instituição. Há também o primeiro Regimento Escolar do Ginásio Comercial, que fora aprovado pelo Departamento de Ensino Técnico do governo estadual, bem como a mudança de nome do estabelecimento, que passava a se chamar, a partir de 25 de agosto de 1967, de Ginásio Comercial Municipal Professora Alcina Dantas Feijão.

A escola já funcionou em três lugares, primeiramente e provisoriamente no Grupo Escolar de Vila Júlia (atual EMEF Professor Décio Machado Gaia) e logo em seguida para o endereço na confluência das avenidas Paraíso e Visconde de Inhaúma, isso se deu por conta que o prédio definitivo da escola não estava pronto em 1967, ele só foi inaugurado em agosto do ano seguinte.

Os processos administrativos n.º 5670/1967, 7392/1967 e 11135/1967, preservados no Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal, trazem documentos sobre essa obra de construção, em especial ao primeiro processo mencionado, é possível encontrar documentos que registram a concorrência pública para a contratação de empresa de construção civil, plantas e mapas do local de construção do edifício, com detalhes da obra.

A criação do Colégio Comercial Municipal Professora Alcina Dantas Feijão representou um marco na história da educação em São Caetano do Sul. Em um contexto de acelerado crescimento industrial, a instituição teve papel fundamental na formação de mão de obra qualificada, preparando jovens para atender às demandas do setor produtivo local. Mais do que ampliar a oferta de vagas, a escola contribuiu diretamente para o desenvolvimento econômico e social do município, consolidando-se como referência na formação educacional de gerações de munícipes. Reconhecida até os dias atuais pela sua relevância e qualidade de ensino, a instituição segue como símbolo da educação no município, sendo oportunamente destacada neste mês de seu aniversário por meio desta homenagem histórica.

Por fim, ressaltamos que a preservação desse patrimônio documental do município possibilita a recuperação da informação e a construção da memória coletiva, por meio do resgate aos registros passados conseguimos analisar fases importantes da história da cidade e projetar um futuro ainda maior para São Caetano do Sul.

Fontes:

CARVALHO, Cristina Toledo de. A Construção de uma cidade nova: a primeira gestão do prefeito Hermógenes Walter Braido (1965-1969). Raízes, São Caetano do Sul, n.º 58, p. 10-19, dez. 2018.

FUNDAÇÃO PRÓ-MEMÓRIA DE SÃO CAETANO DO SUL. Um prefeito na Assembleia. Raízes, São Caetano do Sul, n.º 28, p. 18-20, dez. 2003.

GALLO, Márcia; MUNARI, Rodrigo Marzano. 70 anos de história da educação em São Caetano do Sul: 1949-2019. São Caetano do Sul, SP: Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, 2021.

GOLÇALVES, Mariza Lima. Colégio Alcina Dantas Feijão: 32 anos de atividades ininterruptas. Raízes, São Caetano do Sul, n.º 19, p.55-58, jul. 1999.

Processo Administrativo n.º 11135/1967

Processo Administrativo n.º 2125/1967

Processo Administrativo n.º 5670/1967

Processo Administrativo n.º 7392/1967

SÃO CAETANO DO SUL. Lei n.º 1.489, de 29 de agosto de 1966. Reestrutura os órgãos e serviços do Poder Executivo Municipal da Prefeitura de São Caetano do Sul. Diário Oficial do município de São Caetano do Sul, SP, 3 set. 1966.

SÃO CAETANO DO SUL. Lei n.º 1.550, de 8 de março de 1967. Dispõe sobre a criação, instalação e manutenção do Ginásio Comercial e dá outras providências. Diário Oficial do município de São Caetano do Sul, SP, [1967].