Arquivo Público Municipal

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Memória, História e Transparência

O Arquivo Público Municipal trabalha para preservar documentos e facilitar o acesso à informação.

SOBRE O ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL

O Arquivo Público Municipal de São Caetano do Sul preserva, organiza e disponibiliza documentos históricos que contam a trajetória da cidade e de seus cidadãos. Além disso, desenvolve projetos de difusão, ações educativas e atividades culturais voltadas à valorização do patrimônio documental.

O acesso ao acervo é garantido por legislação federal, estadual e municipal, assegurando transparência e preservação da memória histórica.

 

 

Notícias

Notícia Arquivo Público
USCS aprova e publica Plano de Classificação e Tabela de Temporalidade de Documentos em parceria com o Arquivo Público Municipal

Instrumentos estabelecem critérios para a organização, avaliação, preservação e destinação dos documentos produzidos e recebidos pela Universidade

 

A USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) aprovou e publicou o Plano de Classificação de Documentos e a Tabela de Temporalidade de Documentos das atividades-meio e atividades-fim da instituição, consolidando um importante avanço na gestão documental da Universidade. A iniciativa é resultado da cooperação entre a USCS e a Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, por meio da Segov (Secretaria Municipal de Governo) através do APM (Arquivo Público Municipal). 

O acordo de colaboração, firmado em 2025, tem como objetivo promover ações conjuntas voltadas à implantação do sistema integrado de gestão documental, guarda, consulta e digitalização do acervo, além da elaboração e implementação dos instrumentos de gestão documental.

A Resolução USCS nº 001/2026, de 29/6, que aprovou os instrumentos, foi publicada no Diário Oficial Eletrônico em 1/7, representando um marco para a organização e o tratamento da documentação produzida, recebida e custodiada pela Universidade.

O Plano de Classificação de Documentos estabelece categorias e critérios para a classificação funcional de todos os documentos produzidos, recebidos e custodiados pela Instituição. Os documentos são agrupados em categorias de acordo com as funções e atividades que os geraram, resultando em uma organização sistemática e eficiente de toda a informação.

Já a Tabela de Temporalidade de Documentos estabelece os prazos de guarda desses documentos, com base na legislação municipal, estadual e federal, além de resoluções e normativas de conselhos profissionais e de classe, garantindo que todo documento tenha seu destino adequado de acordo com sua classificação. Assim, assegurando que a informação seja guardada pelo tempo necessário para a garantia de direitos e deveres, e que os documentos classificados como de guarda permanente sejam preservados e disponibilizados definitivamente, salvaguardando a história da USCS e da cidade de São Caetano.

A adoção desses instrumentos contribui para uma gestão documental mais organizada, eficiente e transparente, além de possibilitar melhor utilização dos recursos públicos e maior agilidade no acesso às informações, ao mesmo tempo em que assegura a preservação dos documentos de valor histórico e da memória institucional da USCS e do município.

A iniciativa reforça ainda a importância da atuação integrada entre as instituições públicas na construção de políticas permanentes de gestão documental, promovendo maior segurança, racionalidade e transparência no tratamento da informação pública.

Os instrumentos de gestão documental da USCS já estão disponíveis para consulta no site do Arquivo Público Municipal, juntamente com os Planos de Classificação de Documentos e Tabelas de Temporalidade de Documentos da Prefeitura, além de Editais de Ciência de Eliminação de Documentos, Termos de Eliminação de Documentos e outras informações relacionadas à gestão documental municipal.

Acesse: https://arquivo.saocaetanodosul.sp.gov.br/pagina-administracao-publica-municipal

Notícia Arquivo Público
São Caetano em festa: a organização para comemoração do 78º aniversário da cidade

Ao celebrar seu aniversário, São Caetano do Sul também celebra as tradições que, ao longo do tempo, ajudaram a construir a identidade de sua população. Entre elas estão as comemorações pelo aniversário da cidade, momentos que reúnem a comunidade para celebrar sua história, suas conquistas e o sentimento de pertencimento ao município.

Neste ano em que São Caetano do Sul comemora seus 149 anos, o Arquivo Público Municipal convida a população a voltar no tempo e conhecer um pouco das origens dessas celebrações. Por meio dos documentos preservados em seu Acervo Permanente e Histórico, é possível encontrar registros que revelam como a cidade se organizava para comemorar sua própria história e como esses momentos já ocupavam um espaço importante na vida pública e social do município.

Para compreender essas celebrações, é preciso voltar às origens de São Caetano. Em 28 de julho de 1877, foi oficialmente instalado o Núcleo Colonial de São Caetano pelo Governo Imperial brasileiro. A data também marca a chegada das primeiras famílias de imigrantes italianos, vindas principalmente da região do Vêneto, que receberam lotes de terras pertencentes à antiga Fazenda São Caetano. Por essa razão, o dia 28 de julho se consolidou como a data de fundação da cidade.

Décadas mais tarde, após a conquista de sua autonomia político-administrativa, São Caetano passou a construir uma nova etapa de sua história como município. O Acervo, que preserva documentos produzidos desde o primeiro ano da administração da Prefeitura Municipal, em 1949, guarda registros importantes desse período e das transformações vividas pela cidade.

Entre esses documentos está o processo administrativo nº 3.405, de 1955, que reúne registros relacionados à organização das festividades do 78º aniversário de São Caetano.

O processo tem início com um ofício do então prefeito Anacleto Campanella, que estava em seu terceiro ano de mandato, dirigido ao comandante da Força Pública do Estado, solicitando a participação da Banda Musical para a realização de um concerto no dia 28 de julho de 1955, às 19h, no Jardim 1º de Maio.

O documento é mais do que um registro administrativo. Ele revela parte da atmosfera de uma cidade que, poucos anos após sua emancipação, já encontrava nas celebrações de seu aniversário uma oportunidade de reunir sua população e reafirmar sua história.

Entre os registros preservados, também está a programação de fogos de artifício apresentada pela empresa “Premiada Fábrica de Fogos Artificiais”, com a descrição das diferentes pirotecnias que fariam parte da celebração. Entre elas, o documento registra:

[...] Peça final dupla composta inicialmente de 40 foguetões subindo 4 cada vez com um tiro de bateria no chão; seguindo-se de 60 foguetões subindo 6 cada vez com um tiro de bateria no chão; 80 foguetões subindo 8 de cada vez com um tiro de bateria no chão; 120 foguetões subindo 12 de cada vez com um tiro de bateria no chão finalizando com uma rajada de 200 foguetões subindo todos de uma vez e mais 15 grandes morteiros tiro seco com 15 bombas de bateria grande no chão.

A programação era de que às 6h haveria a “Alvorada com 21 tiros”; às 9h a “Missa campar na Praça Comendador Ermelino Matarazzo (Bairro Fundação), com a presença de autoridades, associações culturais, Tiro de Guerra 277 e Escoteiros”; às 19h30 um “Grande concerto musical pela Banda da Força Pública do Estado de São Paulo, constituída de 90 figuras, no Jardim 1º de maio”; e, por fim, às 22h uma “Grande queima de fogos de artifícios no Jardim 1º de Maio”. 

A programação demonstra que as comemorações envolviam diferentes momentos e instituições da cidade. Essa mobilização também pode ser percebida nos documentos que integram o processo administrativo. Para a realização da missa campal, por exemplo, foram preservados os convites enviados pelo chefe do Executivo municipal ao Tiro de Guerra 277, à Associação dos Escoteiros “João Ramalho” General Motors do Brasil S.A. e à Associação de Escoteiros “São Francisco de Assis”, convidando-os a participar das celebrações.

A participação na festa, entretanto, não se restringia às atividades organizadas pelo poder público. Um cartaz preservado no mesmo processo revela também a participação da sociedade civil nas comemorações, com a realização, às 15h, de uma partida de futebol entre a Associação Atlética de São Bento e a Sociedade Esportiva Palmeiras, no Estádio da Associação Atlética de São Bento. Em disputa estava o troféu “Capitão Oberdã de Nicola”, oferecido pela Municipalidade de São Caetano do Sul.

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

Já no evento noturno de apresentação da Banda da Força Pública do Estado de São Paulo, encontramos a programação completa assinada pelo Major Maestro Bento da Cunha que iniciaria com a sinfonia “O Guarani” de A. Carlos Gomes, a valsa “Danúbio Azul” de J. Strauss, a “Sinfonia das Américas” do próprio Antonio Bento Cunha”, o solo para flautim “Melodia dos Bosques” de A. Biferno, a “Serenata” de F. Schubert, a famosa obra musical “1812” de Tchaikovsky e, por fim, uma marcha militar do Major Maestro Bento da Cunha, que também iria reger o concerto sinfônico.

            Há quatro exemplares de jornais no processo, com matérias sobre a data comemorativa na cidade. O “Jornal de São Caetano” em sua edição n.º 542 intitulava uma de suas matérias “Do sítio de Tijucussu ao Principe dos Municípios”, onde se lia no começo do texto: 

É confortador para os sancaetanenses verificar após ter conseguido a sua autonomia municipal, que a cada ano que passa mais se acentua o progresso da localidade. Nesses seis anos e meio de vida independente, São Caetano do Sul rem experimentado um progresso que supera a qualquer expectativa. As inaugurações dos anos anteriores, grupos escolares, jardim, Viaduto dos Autonomistas, vias públicas asfaltadas etc., falam bem alto som o vertiginoso crescimento de nossa cidade. 

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

 

Já o periódico informativo “S. Caetano em Gazeta” em sua 3ª edição estampava em sua capa a matéria “Da mata virgem, surgiu ‘florestas de chaminés’”, resgatando a história da localidade desde antes da chegada dos beneditinos quando ainda era habitada pelos povos originários da então chamada Tijucussu.

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

No dia de 28 de julho a edição n.º 6.484 do jornal “Diário Comércio & Indústria” a matéria que abordava a data comemorativa tinha como título “São Caetano do Sul comemora hoje mais um aniversário, prestação de contas do operoso prefeito Anacleto Campanella – obras realizadas – festejos”.

 

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

Já posteriormente, no dia 3 de agosto daquele ano de 1955, o “Jornal de São Caetano”, em sua edição n.º 543, trazia a cobertura completa dos festejos de aniversário da cidade “Jubilosamente comemorado o 78º aniversário da cidade. Sessão solene na Câmara, missa campal, desfile, concerto sinfônico e queima de fogos – como transcorreu o dia 28 de julho deste ano – cobertura completa dos festejos realizados”, já que no dia 27 de julho a Câmara Municipal de Vereadores realizou uma sessão solene, como é de costume até hoje, em comemoração ao aniversário do município.

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

Também encontramos uma carta intitulada como “Mensagem ao Povo”, em que o Prefeito Municipal Anacleto Campanella convida a população da cidade a festejar o seu 78º aniversário de São Caetano e “[...] reverenciar a memória dos bravos pioneiros que da longínqua Itália aqui chegaram em 1877 [...]” e saúda a população pela “[...] sua compreensão e cooperação na obra gigantesca que constitui o progresso do nosso município”.

Processo administrativo n.º 3.405/1955 - Acervo Permanente e Histórico do Arquivo Público Municipal

Assim, São Caetano do Sul completava seus 78 anos de fundação. O município ainda estava na primeira década de sua autonomia político-administrativa e vivia sua segunda gestão — Ângelo Raphael Pellegrino, de 1949 a 1953, e Anacleto Campanella, de 1953 a 1957. A cidade trilhava seu caminho com raízes em sua história e em suas tradições, mas também com os olhos voltados para o futuro que ainda reservaria muitos feitos ao chamado “Príncipe dos Municípios”.

Em 1955, o então prefeito Anacleto Campanella dava andamento à programação que celebraria os 78 anos de São Caetano. Setenta e um anos depois, no aniversário de 149 anos da cidade, é seu filho, Anacleto Campanella Júnior (Tite), quem está à frente do município e dá continuidade a uma tradição que atravessa gerações: a de celebrar São Caetano, sua história e as conquistas de sua gente.

Os tempos mudaram, a cidade cresceu e novos capítulos foram escritos. Mas a essência permanece. Ontem, os documentos registravam ofícios, convites, música, futebol e fogos de artifício que reuniam a população para celebrar sua cidade. Hoje, novas histórias são escritas e outras memórias passam a fazer parte desse mesmo legado.

É nesse encontro entre passado e presente que o Arquivo Público Municipal cumpre sua missão: preservar os registros que permitem que a história seja conhecida, lembrada e compartilhada pelas novas gerações. Afinal, São Caetano do Sul não chegou aos 149 anos apenas porque o tempo passou. Chegou até aqui porque, geração após geração, sua história continua sendo construída, celebrada e preservada.